Virada de mesa

Entra ano e sai ano e a tentativa de aumentar para 12 o numero de clubes na elite do futebol catarinense volta à tona. Agora, através de uma manobra de Imbituba e Concórdia, o polêmico assunto ganha corpo.

Na mais recente assembléia da Associação de Clubes o tema foi apresentado e aprovado por unanimidade.

Esta tentativa de aumentar o numero de clubes, e desta forma deixando de existir o rebaixamento, ganha uma força espetacular que não existiu no ano passado. A Chapecoense tentou se beneficiar da mesma fórmula, mas foi barrada na mesma entidade que hoje apóia a demanda.

Delfim Pádua Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense de Futebol, já se mostrou reticente quanto a este aumento, apenas pelo fato de que os clubes da segunda divisão estão mal organizados e não teriam hoje capacidade de encarar uma primeira divisão. O presidente está muito certo neste quesito. Mas e a federação faz algo de concreto para colaborar na melhoria da estrutura dos clubes? Existe repasse de recursos por parte da federação? Lamentavelmente a reposta é negativa. Cotas de TV e nada mais. Falta um aporte financeiro aos moldes do RS.

O que mais denigre este tipo de iniciativa de tentar evitar o rebaixamento através de uma virada de mesa é discutir este tema polêmico sempre depois de iniciada a competição. O debate fica fora do tempo e ganha a mascara da picaretagem.

A volta da Chapecoense se deu por outro caminho. Legitimo sob o ponto de vista legal, tanto que a CBF não interferiu no caso, mas completamente sui generis, pois é muito raro ver um clube desistir da primeira divisão. Pois aconteceu e beneficiou a Chapecoense. Ano passado tivemos duas equipes rebaixadas. Atlético de Ibirama pela desistência e o Juventus pela falta de futebol.

Eu particularmente apoio a idéia de 12 clubes na elite. Amplia o mapa do futebol catarinense e abre espaço para outras regiões. O problema está justamente na forma como pretendem realizar esta mudança. Antes de a bola rolar vale. Depois de definidos os rebaixados ganha a marca de virada de mesa.

E se a virada acontecer?

E acredito que ela vai se confirmar. Teremos mais uma vez muitas horas de programação e muitas páginas sendo destinadas ao cansativo debate em torno do tema e a defesa das mais diversas teses. Mas o debate é sempre positivo.

A pergunta que faço é a seguinte: Imbituba e Concórdia irão se organizar de forma a não mais experimentarem o desgosto do rebaixamento? Outra: As comunidades e seus torcedores irão apoiar suas equipes ou mais uma vez vamos ver o fracasso de público que foi a maioria dos jogos destas duas equipes na competição?

Voltar para inflar ego de dirigente é besteira. As duas cidades querem futebol profissional? Se realmente querem que tratem de apoiar.

A Chapecoense escapou do rebaixamento e para calar a boca de todos lotou a Arena e foi campeã.

 

 

 

 

Um comentario para “Virada de mesa”

  1. Fabio - Candoi-PR disse:

    Fernando 12 clubes teriam que mudar a formula do campeonato pois faltariam datas. Ou se começa o campeonato mais cedo. Ruim para o clube que jogar até desembro. Pois, tem que dar 30 dias de ferias aos atletas. Do outro lado os clubes que estrão na copa do Brasil (Chapecoense e Criciuma) terão que se virar. As datas ficariam apertada.

    Não vejo mais 2 cidades com condições de ter bons times na primeira divisão. Tubarão e Jaragua talves.

Deixe um comentario