Arquivo para maio, 2011

Quatro vezes

segunda-feira, maio 16th, 2011

Foi como deveria ser. Sofrido e amplamente valorizada pelo adversário. Ninguém jogou mais do que Chapecoense e Criciúma nesta competição. Na comparação entre os dois finalistas havia uma diferença substancial no desempenho geral, e por fim, venceu quem deveria ter vencido. A Chapecoense.

Foi uma conquista duríssima e que refletiu de forma muito digna a paridade do futebol catarinense, que sempre destaco como sendo o mais competitivo do Brasil.

Nada poderia separar este grupo da Chapecoense desta conquista. Seria demasiado injusto ver mais uma vez Mauro Ovelha cabisbaixo e amargando um novo vice.

Nesta temporada houve uma harmonia verdadeira, sincera, um grupo fechado e com um comprometimento poucas vezes visto. A Chapecoense soube passar por cima de dificuldades que outras equipes certamente sucumbiriam.

A Chapecoense foi acusada de permanecer na elite graças a uma virada de mesa, que até hoje não é digerida por muitos. Havia em alguns setores um sentimento, um desejo de que a Chapecoense naufragasse nesta temporada, como uma forma de castigo.

E por fim a imensa desconfiança que existia na contratação de Mauro Ovelha para ser o comandante deste projeto. Pois a diretoria bancou sua volta e bateu de frente com muita gente.

A sabedoria conseguir lidar com este sentimento e de forma muito profissional conduzir um projeto que mexe profundamente com uma cidade importante no cenário nacional como é Chapecó.

Este conjunto de acertos levou a Chapecoense a uma conquista magnífica e sem retoques.

 

Um nome

 

Izair Gambatto. O presidente de honra da Chapecoense foi o pilar que organizou uma diretoria e de uma equipe vitoriosa. Acertou em cheio ao conduzir Sandro Pallaoro a presidência. Foi exato ao colocar Cadú Gaúcho na direção de futebol. Quando chamou o Maringá para o vestiário ele acertou no centro do alvo. Trouxe de volta vários investidores e outros que jamais haviam colocado um tostão na Chapecoense. Mesmo do alto de sua importância e daquilo que representa na economia do Estado soube ser humilde e jamais deixou de agradecer aqueles que lhe auxiliaram. Quantos xingamentos Izair Gambatto ouviu, quieto. Quantas vezes ele foi acusado de coisas que jamais deveria ter ouvido.

Gambatto é campeão! E mais uma vez mostrou a grandeza de espírito ao dedicar a conquista para sua mãe. Simples como devem ser os vencedores.

 

 

RBS x a voz dos estádios

quinta-feira, maio 12th, 2011

Nunca antes na história do Campeonato Catarinense se ouviu nos estádios algo parecido. A ira do torcedor contra a RBS, detentora dos direitos de transmissão, está sendo severamente “homenageada” com gritos de protesto que ecoam e invadem os microfones da própria emissora.

A situação atingiu um patamar que obrigou a diretoria local da empresa a chamar os integrantes das direções das torcidas organizadas da Chapecoense para tratar do tema e humildemente pedir para que os protestos e gritos cessem na Arena Condá.

Quando escuto o grito dos torcedores contra a empresa eu fico sensibilizado com os profissionais que defendem o prefixo. Aqui em Chapecó conheço todos e sei da competência de cada um deles e da forma séria como trabalham. Eles cumprem ordens como qualquer empregado de qualquer outra empresa. Eles representam sim e são pagos pela empresa que é alvo da ira dos torcedores catarinenses, mas eles, os profissionais de campo, não podem pagar pelos erros de seus diretores, a maioria que sequer tem noção do que é o futebol em SC.

No domingo assisti a tentativa de uma repórter da RBS na gravação de uma passagem, e posteriormente a sua desistência, pois simplesmente os torcedores impediram no grito sua missão.

E a situação já está ultrapassando os limites dos campos de futebol. Ontem fiquei sabendo que uma entrevista em uma escola de Chapecó foi interrompida pelos gritos dos alunos contra a mesma emissora. A matéria versaria sobre a possível greve do magistério.

Reitero mais uma vez o respeito que tenho por todos os jornalistas da RBS TV de Chapecó. Os erros foram cometidos em decisões que aconteceram muito longe daqui. Para alguns diretores sim esta homenagem é merecida, pois muitas vezes eles acreditam que o crachá da empresa em que trabalham vale mais do que um decreto presidencial. Tem diretor da RBS que anda de nariz tão empinado que pode morrer afogado em dia de chuva.

Quanto aos homens e mulheres que verdadeiramente fazem do jornalismo sua missão de vida, meu respeito e profunda consideração.

Aos diretores que se consideram Deuses da comunicação eu me junto à massa critica que vaia suas decisões.

 

Os maiores erros

 

Quando surgiu esta revolta dos torcedores contra a RBS? Lembrem-se senhores diretores e façam uma auto-analise.

Ao preterir a Chapecoense pelos clubes da Capital.  A meta era estadualizar Figueirense e Avaí, querendo retirar do futebol de SC o que de mais rico ele tem que é a pluralidade. Em outra decisão desastrada deram mais valor a dupla Gre-Nal do que para a Chapecoense. Trocas na tabela que deixaram a Chapecoense de lado.

O torcedor não perdoa este tipo de manipulação. Fica fácil entender. Basta ser humilde. Pedir perdão agora é muito fácil. Que sirva de lição.

Até o Papa entrou na história

quarta-feira, maio 11th, 2011

É o Bento XVI !!!

Sua Santidade o Papa, ele mesmo, líder maior do povo católico, foi citado como referência de autoridade pelo diretor de futebol do Criciúma, pois segundo ele, nem mesmo Bento XVI saberá em que hotel o Criciúma estará hospedado.

Depois de mais esta pérola vinda do vestiário do Tigre acabei por ficar muito pensativo.

Será que utilizarão as cavernas abandonas por Bin Laden e sua turma? Como será feito o transporte? Virão de submarino, na calada da madrugada, aportarão lá no Faé, debaixo da ponte e subirão em meio à mata com uniformes camuflados e caras pintadas como verdadeiros Rambos do futebol?

Indo mais longe ainda no mundo do pensamento, imaginei que eles seriam teletransportados pelas mesmas maquinas dos Jetsons. Sei lá! Fiquei muito confuso.

Voltando a realidade, faz muito tempo que não escuto tanta besteira vinda de um vestiário. Alguns diretores do Criciúma estão se superando na arte de criar fatos e forjar situações.

Se a preocupação de alguns está relacionada ao fato de não serem descobertos quanto ao hotel que vai hospedar o Criciúma, podem começar a deixar de lado esta besteira, pois os torcedores da Chapecoense ficarão sabendo antes mesmo do que os jogadores o endereço e a cidade de suas hospedagens.

Somente uma situação poderia “salvar” o Criciúma do medo que estão mostrando em relação a alguma manifestação mais barulhenta por parta dos torcedores da Chapecoense em retribuição a baderna que alguns do Criciúma promoveram lá.

Fretar um avião e sair no domingo pela manhã, chegando aqui poucas horas antes do jogo. Não precisaria desta forma nem mesmo meter o Papa Bento XVI na jogada.

O santo do pau oco

terça-feira, maio 10th, 2011

Acredita-se que as imagens de santos esculpidas em madeira oca eram recheadas de ouro e pedras preciosas para passar pelos postos de fiscalização da Coroa Portuguesa.  Coisas do Brasil Colonial. Atualmente a denominação serve para identificar quem quer se fazer de santo, quem quer se passar por bonzinho e muitas vezes injustiçado. Lobo em pele de cordeiro.

Tem gente em Criciúma que pode receber muito bem este “titulo”. Seja pelo que falou ou pelo que fez, ou ambas as situações.

Agora tem dirigente do Criciúma negando o interesse por Thoni e a existência de um documento prévio.

Apareceram outros para dizer que nada de errado foi feito em Criciúma, principalmente no caso da noite de foguetório promovida na aba do hotel da Chapecoense com total conivência da Policia Militar local.

Estão tentando atribuir à criação de um clima de guerra em Chapecó como forma clara de condicionar uma série de situações.

Tudo faz parte do espetáculo e está inserido na catimba de uma decisão. Quem na verdade vai resolver esta questão são os jogadores dentro de campo e o torcedor nas arquibancadas. Não vai ser dirigente boquirroto que não sabe o que é ética que vai entrar em campo.

Entendo a vontade da imensa maioria dos torcedores de ficar a noite inteira na porta do hotel do Criciúma e promover o maior baderna possível. Mas sinceramente acredito que é melhor abandonar esta estratégia por dois motivos bem simples. Primeiro para não comprar briga com a Policia Militar e depois ficar com pendências na justiça. E finalmente para que não tenhamos a vergonha de uma nova fuga, igual à de 1996, quando o Joinville apareceu somente em dezembro para fechar a conta.

Time a Chapecoense tem de sobra para ganhar. Torcedor está provado por A+B que é um show a parte.

Vamos deixar esta decisão acontecer dentro de campo, na maior normalidade, dentro do que reza a cartilha do melhor futebol, e depois disso comemorar o quarto título com os foguetes que seriam utilizados na noite anterior.

É hora de todos juntos darmos mais um show de civilidade, organização e futebol.

 

 

O negocio é o seguinte…

segunda-feira, maio 9th, 2011

Chegou a tua vez Ovelha!!!

Um jogo, uma vitória, um resultado simples, separam a Chapecoense do quarto titulo Estadual e a estréia de Mauro Ovelha na galeria dos campeões.

O fator local pode definitivamente fazer a diferença.

Quando do término do jogo em Criciúma e a confirmação do resultado mínimo de 1×0 para o Criciúma, era nítido o desconforto, pois eles queriam mais para carregar para Chapecó uma vantagem mais ampla e que lhes desse a possibilidade de administrar o jogo. Com o 1×0 fica impossível controlar a partida.

A vantagem foi revertida, é bem verdade, mas se antes ela era considerada pequena quando a Chapecoense a detinha, porque será ela agora abissal por estar nas mãos do Criciúma?

Um empate no Heriberto Hulse criaria na Chapecoense uma zona de conforto que poderia levar a equipe a cometer o mesmo erro que cometeu no primeiro tempo contra o Avaí, quando acreditou que poderia administrar a vantagem e por muito pouco não foi surpreendida. Não fosse o Aloísio marcar duas vezes e Rafael Coelho acertar a trave, a final teria outros atores.

Respeitar o Criciúma é importante e faz bem para deixar o clima da decisão sob o controle da lógica. Porém, não podemos escapar de uma verdade. A Chapecoense precisa amassar o Criciúma logo de cara. É começar o jogo e sair pra cima de forma sufocante para neutralizar a vantagem e imediatamente tratar de ampliá-la. Reitero que o respeito existe e ele é verdadeiro para com o adversário, mas a necessidade de vitória obriga a Chapecoense a ser arrojada e fazer valer o fator local e a força do melhor futebol que inegavelmente possui.

O Nat Geo da bola

quinta-feira, maio 5th, 2011

Quem tem vontade e sede de saber encontra no canal a cabo da National Geographic uma fonte verdadeira e com credibilidade de quem realiza pesquisas e programas de TV extremamente bem produzidos.

No futebol, com o advento das coberturas diárias, com jogos de todas as partes do mundo na tela, temos a cada jogo um aprendizado ao vivo, na sala da nossa casa.

Para a decisão do Campeonato Catarinense que se aproxima as últimas lições são valiosas.

Começando pelo jogo da semifinal do próprio Catarinão, quando a Chapecoense dormiu no primeiro tempo e quase foi surpreendida pelo Avaí.

Olhemos agora os ensinamentos da Libertadores da América e a trágica quarta-feira para o futebol brasileiro.

O Cruzeiro poderia perder e fez questão de perder por mais que poderia. O Fluminense de Fred achou que podia e afundou feio. O Grêmio apenas confirmou que este negócio de ficar apostando em imortalidade é bravata de dirigente que quer esconder os defeitos do elenco. E o Inter subiu no salto alto, desperdiçou uma montanha de gols, menosprezou o adversário e foi punido como deveria ser.

Para a Chapecoense e para o Criciúma servem vários ensinamentos. Para a Chapecoense vale lembrar o péssimo primeiro tempo contra o Avaí quando quase encerrou sua participação de forma melancólica. Soube dar a volta, mas correu um risco desnecessário.

A vantagem que construiu e que lhe permite jogar a final em casa e por dois resultados iguais, apenas serve como última plataforma de salvação e não como método de jogo.

Para o Criciúma fica o exemplo da humildade que deve ser ingerida em doses fartas todos os dias, coisa que não está fazendo seu técnico, o falastrão Edson Gaúcho, que de declaração em declaração anda colocando fogo nesta decisão. Algumas vezes de forma irresponsável.

A bola ensina todos os dias em rede mundial. Resta querer aprender.

Relembrando

quarta-feira, maio 4th, 2011

Dia 02 de março de 2011 escrevi a seguinte coluna no Voz do Oeste e publuqiei aqui no blog:

 

Izair Gambatto x Antenor Angeloni

Quero hoje traçar um comparativo entre dois homens que estão no comando de duas grandes equipes de futebol em SC.

Ambos são extraordinariamente bem sucedidos em suas carreiras empresariais. São grandes geradores de empregos e riquezas nas suas áreas de atuação. Por estarem bem estabelecidos e já tratando da sucessão em suas empresas, buscaram no futebol uma espécie de novo desafio.

Antenor Angeloni vive um grande momento no Criciúma. Sob sua batuta o Tigre voltou a Série B e conquistou o turno do Campeonato Catarinense, levando uma vaga para a decisão e uma para a Copa do Brasil de 2012.

Segue ele trabalhando para profissionalizar internamente o Criciúma e desta forma alçar vôos maiores.

Izair Gambatto toca a Chapecoense junto com um grupo de pessoas de sua confiança. Falta para ele e para os demais uma conquista. Estão trabalhando muito para isso. Um campeonato estadual ou um acesso para a Série B nacional seria a coroação de um projeto que se mostra organizado e correto.

Mas Izair leva uma vantagem sobre Angeloni neste comparativo. Na verdade a vantagem é da Chapecoense. O projeto do Criciúma está todo ele calcado na pessoa de Antenor Angeloni. Depois dele existirá alguém com o mesmo poder de investimento? Acho difícil.

Izair Gambatto sabe dividir melhor as responsabilidades e o comando. Desta forma uma saída de cena será menos traumática, será sentida, mas menos impactante.

O que tanto Chapecoense como Criciúma devem comemorar é a presença de dois grandes empresários em seus quadros e com vontade de tocar um projeto arrojado.

Um presente

inda na mesma trilha do tópico acima, seria interessante uma decisão envolvendo Chapecoense e Criciúma, Izair Gambatto e Antenor Angeloni. Duas agremiações que trabalham com seriedade, que buscam recursos em suas comunidades ou através do poder de fogo de seus tutores.

Tanto aqui como lá pouco se recebe de fontes abastadas do governo ou de empresas bancadas com o dinheiro da população. Seria uma forma de homenagear estes dois grandes empresários e desta forma valorizar a presença de pessoas sérias no futebol. Quem sabe o destino não está reservando este momento? Antenor Angeloni já está lá, esperando Izair Gambatto para um encontro memorável.

Nota: Dois encontros entre gigantes da economia e agora do futebol de SC estão marcados. Primeiro no dia das mães. O definitivo dia 15 de maio aqui em Chapecó.

 

 

Momentos diferentes

segunda-feira, maio 2nd, 2011

Edson Gaúcho

Chapecoense e Criciúma chegam em momentos diferentes para a decisão do Campeonato Catarinense.

O Criciúma está de técnico novo após a saída traumática e ainda mal explicada de Guilherme Macuglia.

O Criciúma está há quase um mês sem realizar um jogo oficial e certamente esta parada terá reflexos dentro de campo.

Já a Chapecoense chega embalada e com seu ritmo de jogo no nível mais elevado. Fatores que podem sim fazer a diferença.

Edson Gaúcho, novo técnico do Criciúma, em entrevista a uma emissora de rádio declarou que para este primeiro jogo a obrigação é vencer em casa, até aí tudo certo, mas escorregou ao dizer que não se pode cobrar do Tigre uma vitória com placar dilatado, como se isso fosse fácil de ser executado.

O comandante do Tigre afirmou também que não houve pênalti sobre Aelson, que originou o primeiro gol da Chapecoense.

Certamente ele foi instigado para comentar o jogo que definiu o adversário da final, mas achei deselegante a forma como ele abordou o tema.

Para que você possa avaliar melhor minha analise, leia com atenção uma das frases ditas por Edson Gaúcho: “Nosso objetivo é vencer, não podemos pensar em fazer três ou quatro gols, temos que ganhar o jogo, depois se puder fazer mais é conseqüência do jogo”.

Edson Gaúcho é um bom técnico de futebol, não resta dúvida, mas a frase soou carregada com um ar de superioridade que não reflete a realidade.

Mauro Ovelha tem se afastado de todo tipo de polêmica e debate mais acirrado, e faz muito bem.