
O futebol cresceu como empreendimento de forma espantosa. Grandes grupos econômicos vislumbram o esporte como uma vertente de investimento e de exposição de marcas. O futebol, de forma muito particular, supera em força econômica algumas nações. A FIFA hoje tem mais países filiados do que a ONU.
Nesta esteira muita coisa está acontecendo no mundo da bola. O empresariado catarinense começa uma movimentação forte neste sentido. Neste momento, a mais representativa, está acontecendo em Criciúma. Pela segunda vez em menos de um ano, o Grupo Angeloni, do majoritário Antenor (presidente do Criciúma) e do irmão Arnaldo, realizam uma proposta formal para gerir o futebol do Criciúma por 10 anos. Um levantamento aponta que o Criciúma deve hoje R$ 10 milhões.
A proposta engloba o pagamento de todas as dividas, garantia de colocação do clube na Série A do Campeonato Brasileiro e forte investimento nas categorias de base. Em contrapartida, todos os contratos de compra e venda de atletas passará pelas mãos do Grupo Angeloni durante uma década. Na primeira vez em que uma proposta semelhante foi apresentada ela acabou sendo rechaçada pelo Conselho Deliberativo. Na proposta anterior estava incluída e venda do estádio, construção de um novo, e no local do Majestoso seria erguido um shopping. O negócio é gigantesco e mexe com a paixão de uma cidade inteira.
Está explicada a volta de Angeloni ao futebol do Criciúma. Quando muitos atribuíam seu retorno ao fato de amar o Criciúma e encontrar na entidade uma espécie de hobby somado a um novo desafio pessoal, o que se vê é que apenas o lado comercial da questão pesou. Nada mais.
Por mais dinheiro que possa ter (e tem) o Grupo Angeloni. Por mais interessante que possa parecer este investimento, o Criciúma terá de ter o cuidado para não deixar morrer a paixão de outros nomes fortes da comunidade, de outros abnegados que trabalharam em prol do Criciúma, e que construíram esta história de sucesso e de alguns fracassos.
A proposta de Angeloni é interessante, mas terá ela um preço alto a ser pago. Angeloni será dono do Criciúma por 10 longos anos. Neste relacionamento, haverá espaço para o torcedor? Perigoso demais.
Não tem comparação
A comparação entre esta proposta do Grupo Angeloni e a presença recente de Izair Gambatto na Chapecoense é inevitável, mas não cabe.
Em primeiro lugar que a situação das entidades Criciúma e Chapecoense é totalmente diferente. A Chapecoense é tocada há alguns anos por uma entidade paralela. O Criciúma funciona de forma diferente.
Izair Gambatto não tinha e não tem a intenção de “alugar” a Chapecoense. Angeloni quer “arrendar” a fazenda de porteira fechada. A fórmula que hoje é adotada pelo Criciúma e que norteia a Chapecoense, com a presença dos grandes empresários da cidade dentro da diretoria, mas sem mando irrestrito, é o ideal. Criciúma e Chapecoense são patrimônios de suas cidades, levam o nome de suas comunidades. Fechar um negócio deste porte pode ser um tiro no pé.