Arquivo para agosto, 2011

Boca braba

domingo, agosto 14th, 2011

A vitória da Chapecoense sobre o Brasil de Pelotas pelo placar de 3×1 pode maquiar o que realmente foi este jogo.

Foi um jogo difícil, em que a Chapecoense saiu perdendo, virou o jogo, teve de passar por cima de uma péssima arbitragem e uma tarde desastrosa do sistema defensivo que esteve irreconhecível.

Se atrás as coisas não andaram bem, na frente tivemos um show de Neilson, que merecidamente marcou três gols.

Outra atuação marcante foi a de Jean Carlos, um verdadeiro garçom de luxo. Destaque também para uma defesa espetacular de Rodolpho.

O Brasil de Pelotas esteve o tempo inteiro rondando a área da Chapecoense, o que dificultou a missão e valorizou ainda mais esta importante vitória.

A parada de duas semanas entre um jogo e outro, e que vai se repetir agora, nitidamente, atrapalhou a Chapecoense e lhe tirou um pouco da mobilidade característica do grupo. Um amistoso neste período seria interessante.

Perdas absurdas por expulsão de Diogo Roque e Grolli e três pênaltis não marcados em favor do Verdão marcaram a atuação da arbitragem de forma muito negativa. Para fechar a “obra prima” o árbitro carioca levou o jogo até os 51 minutos. No fim deu tudo certo.

A morte do Gol da Chape

quinta-feira, agosto 4th, 2011

Diariamente acesso o blog Gol da Chape. Até pouco tempo atrás este instrumento de comunicação era a mais verdadeira tribuna de debates dos assuntos relacionados à Chapecoense. No Gol da Chape existia liberdade, mas com ela vieram os exageros inerentes a um espaço quase anárquico. Não tenho números oficiais, mas tenho quase a certeza de que era um dos blogs mais acessados de SC.

Eu mesmo fui alvo de elogios e de criticas neste espaço. Sempre soube administrar as colocações ali feitas.

Quando eclodiu a mais recente crise na Chapecoense algumas declarações feitas contra integrantes da imprensa de Chapecó, e que recaiu sobre alguns veículos de comunicação locais, acabou por determinar uma mudança na forma de postagem dos comentários dos internautas. A moderação dos comentários não mais existe, eles vêm agora pelo Facebook. Houve um ganho de responsabilidade, mas a freqüência caiu assustadoramente.

Estão matando o Gol da Chape! A míngua.

Como leitor a fã do Gol da Chape eu clamo pela volta ao passado, pelo retorno dos comentários polêmicos e assinados pelos mais extravagantes codinomes.

Entendo perfeitamente a postura adotada pelos comandantes do blog. Mas acredito que uma ferramenta importante e livre como é o Gol da Chape, não pode abraçar-se a decadência e simplesmente deixar de ser uma tribuna de acalorados debates.

Nitidamente o desanimo tomou conta da equipe do blog. Muitas matérias acabam sendo copiadas na integra. Muito antes da informação, o que move o interesse pelos blogs é a opinião.

Eu, Fernando Doesse, cronista esportivo, radialista, blogueiro e apaixonado por futebol, através deste espaço, solicito que me devolvam o blog que aprendi a admirar e respeitar. Por favor, não matem o Gol da Chape. Não deixem morrer o melhor blog de torcedores de SC e quem sabe do Brasil.

Não deixem que influências externas e pessoas mal intencionadas tenham o poder de destruir algo tão bonito e verdadeiro. Não cometam este crime. Liberem os comentários já! Viva o Gol da Chape!

Arrendamento de uma paixão

terça-feira, agosto 2nd, 2011

O futebol cresceu como empreendimento de forma espantosa. Grandes grupos econômicos vislumbram o esporte como uma vertente de investimento e de exposição de marcas. O futebol, de forma muito particular, supera em força econômica algumas nações. A FIFA hoje tem mais países filiados do que a ONU.

Nesta esteira muita coisa está acontecendo no mundo da bola. O empresariado catarinense começa uma movimentação forte neste sentido. Neste momento, a mais representativa, está acontecendo em Criciúma. Pela segunda vez em menos de um ano, o Grupo Angeloni, do majoritário Antenor (presidente do Criciúma) e do irmão Arnaldo, realizam uma proposta formal para gerir o futebol do Criciúma por 10 anos. Um levantamento aponta que o Criciúma deve hoje R$ 10 milhões.

A proposta engloba o pagamento de todas as dividas, garantia de colocação do clube na Série A do Campeonato Brasileiro e forte investimento nas categorias de base. Em contrapartida, todos os contratos de compra e venda de atletas passará pelas mãos do Grupo Angeloni durante uma década. Na primeira vez em que uma proposta semelhante foi apresentada ela acabou sendo rechaçada pelo Conselho Deliberativo. Na proposta anterior estava incluída e venda do estádio, construção de um novo, e no local do Majestoso seria erguido um shopping. O negócio é gigantesco e mexe com a paixão de uma cidade inteira.

Está explicada a volta de Angeloni ao futebol do Criciúma. Quando muitos atribuíam seu retorno ao fato de amar o Criciúma e encontrar na entidade uma espécie de hobby somado a um novo desafio pessoal, o que se vê é que apenas o lado comercial da questão pesou. Nada mais.

Por mais dinheiro que possa ter (e tem) o Grupo Angeloni. Por mais interessante que possa parecer este investimento, o Criciúma terá de ter o cuidado para não deixar morrer a paixão de outros nomes fortes da comunidade, de outros abnegados que trabalharam em prol do Criciúma, e que construíram esta história de sucesso e de alguns fracassos.

A proposta de Angeloni é interessante, mas terá ela um preço alto a ser pago. Angeloni será dono do Criciúma por 10 longos anos. Neste relacionamento, haverá espaço para o torcedor? Perigoso demais.

Não tem comparação

A comparação entre esta proposta do Grupo Angeloni e a presença recente de Izair Gambatto na Chapecoense é inevitável, mas não cabe.

Em primeiro lugar que a situação das entidades Criciúma e Chapecoense é totalmente diferente. A Chapecoense é tocada há alguns anos por uma entidade paralela. O Criciúma funciona de forma diferente.

Izair Gambatto não tinha e não tem a intenção de “alugar” a Chapecoense. Angeloni quer “arrendar” a fazenda de porteira fechada. A fórmula que hoje é adotada pelo Criciúma e que norteia a Chapecoense, com a presença dos grandes empresários da cidade dentro da diretoria, mas sem mando irrestrito, é o ideal. Criciúma e Chapecoense são patrimônios de suas cidades, levam o nome de suas comunidades. Fechar um negócio deste porte pode ser um tiro no pé.

 

 

Cobranças pontuais

segunda-feira, agosto 1st, 2011

Está na hora de uma analise mais individualizada da Chapecoense.

A semana poderá indicar a contratação de mais um atacante e do homem de criação de meia cancha. Resta aguardar, pois as dificuldades existem para contratar com qualidade.

Do que já está estabelecido na Chapecoense se faz necessária uma analise. Com três jogos na Série C já é possível analisar com embasamento.

O goleiro Rodolpho atravessa sua fase menos qualificada na Chapecoense. Não vive uma crise técnica, mas já falhou em dois jogos. E foram falhas que determinaram gols. Não esqueço as inúmeras defesas importantes. A crítica vem até para tirar este excelente goleiro de uma possível zona de conforto. A zaga titular tem obrigatoriamente a presença de Grolli, Dema e Amaral Rosa. Se um dos três não está aparece uma instabilidade.

Na ala esquerda temos um voluntarioso Aelson, que vive uma de suas melhores fases. Quando é acionado ele responde. O problema é que às vezes a equipe o esquece em campo. Na ala direita a Chapecoense tem um problema. Medina, assim como em outras equipes, não está conseguindo se firmar. Futebol não lhe falta. O que está em falta é a objetividade, futebol vertical e um tanto de personalidade. Ou a Chapecoense trabalha estes pontos com o atleta ou troca de profissional. Força Medina!

Quanto aos volantes a Chapecoense está tranqüila. A dupla Diogo Roque e Everton Cezar está bem.

Na meia cancha segue em falta homem de criação. Neném é voluntarioso, mas lhe falta um lampejo que possa lhe diferenciar entre os demais. No ataque está estabelecida uma concorrência entre quatro atletas. Lucca, Neílson, Jean Carlos e Leandro brigam por duas vagas. Acredito que Neílson é o mais dono de uma delas. Já estão querendo crucificar o Lucca, o que acredito ser uma barbaridade. Jean Carlos ainda precisa melhorar muito. Faço esta cobrança por saber de suas qualidades. Leandro é opção das boas para o banco. Ao que consta estão atrás do chamado “matador”.

Estas duas semanas de treinamentos devem ser obrigatoriamente utilizadas para estes reparos.

É preciso compreender os erros cometidos em Joinville para melhorar. Ver como normal aquela derrota é persistir no erro. E vocês sabem o que significa isso.