Arquivo para setembro, 2011

Atravessado na garganta

sexta-feira, setembro 30th, 2011

Assim está o Joinville em relação à Chapecoense.

As duas derrotas na primeira fase e mais os insucessos recentes frente ao Coelho do Norte de SC, deixaram este gosto amargo na boca dos jogadores da Chapecoense.

Este sentimento não é uma constatação do colunista e sim uma afirmação pública do elenco.

Não existe raiva ou mesmo um sentimento de vingança. O que existe é uma vontade verdadeira de vencer. Precisa motivação maior do que esta?

Fazer o fator local prevalecer é imperioso em uma fase tão importante como esta.

Saber explorar da forma adequada este sentimento de que algo não foi bem digerido, que está atravessado na garganta, é fundamental.

O grupo da Chapecoense é maduro e experiente o suficiente para saber dosar os sentimentos.

A diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

Este é mais um ingrediente que motiva e reflete a importância deste Chapecoense x Joinville às 16 horas de domingo na Arena.

Jefferson Schmidt será o árbitro do jogo. Suas últimas atuações têm sido destacadas pelo lado positivo. Se resolver apenas apitar, respeitando os atletas, certamente sairá da Arena Condá com uma imagem melhorada perante os torcedores.

Na esteira deste jogo os técnicos estão utilizando vários expedientes que reforçam a aura de decisivo que este encontro ganhou. No Joinville Arturzinho carrega uma dúvida na ala esquerda. Trouxe para Chapecó 19 atletas. Mauro Ovelha fechou um treino para poder trabalhar mais sossegado e para fugir de alguma espionagem.

Na verdade as duas equipes se conhecem e se respeitam, mas estes expedientes dão o jogo um tempero ainda mais especial.

Quem não for para a Arena Condá no domingo certamente vai deixar de testemunhar um jogo eletrizante.

Você decide.

Sem essa de lero-lero

quarta-feira, setembro 28th, 2011

O Mestre Rolando Lero

Depois do jogo quiseram me fazer acreditar que foi apenas obra do acaso a realização do jogo Brasiliense 2×2 Chapecoense em uma segunda-feira à tarde em pleno Planalto Central.

A idéia era mesmo fazer a Chapecoense torrar no sol escaldante e na baixa unidade do ar. Outro detalhe foi o gramado que estava bastante alto. Deu tudo errado na vida do Jacaré. Primeiro porque choveu na véspera e no dia do jogo até minutos antes da bola rolar. Eu cheguei à Boca do Jacaré ao meio dia debaixo de chuva. A temperatura baixou muito e a rapaziada andava de casaco depois de mais de 100 dias sem uma gota de chuva. O gramado alto prejudicou o acabamento das jogadas da Chapecoense, mas também matou no cansaço a ala da terceira idade do Brasiliense.

Estratégias antigas e ultrapassadas. Malandragem besta do futebol.

Outro erro foi à troca de técnico. O que classificou a equipe foi mandado embora e chamaram o Argel Fucks. Bom, técnico, sem dúvida, que conhece as equipes de SC, perfeito, mas que não conhece a equipe que comanda!

Deveria ele ter sido contratado para ser uma espécie de consultor. Assim poderia dar mais certo.

A verdade é que tentaram armar algumas armadilhas para a Chapecoense. Expediente de time pequeno, coisa que o Brasiliense não é. Estas tramóias eram feitas há muitos anos atrás pelos velhos dirigentes matreiros, na época romântica do futebol, quando se amarrava cachorro com lingüiça.

Nada de inventar dia ou horário. Sem essa de dar ao gramado um corte diferenciado. Nada de armar este ou aquele expediente para atrapalhar a vida do adversário. Time que monta armadilhas é porque não tem qualidade.

O negócio é jogar futebol de qualidade e com alma. O resto é folclore e para puxar saco de chefe.

Que beleza

segunda-feira, setembro 26th, 2011

Este empate da Chapecoense (2×2) contra o Brasiliense em plena largada da principal fase da Série C deixa uma esperança muito grande de que desta vez vai.

Foi um belo jogo de futebol. As duas equipes apresentaram muitas alternativas interessantes e repertório de jogadas que não era esperado por alguns.

O mérito da Chapecoense foi saber buscar o empate após estar perdendo por 2×0. A vitória não se confirmou por detalhes, entre eles duas falhas defensivas e uma série de conclusões a gol equivocadas. Mesmo assim a Chapecoense teve forças e personalidade para buscar o resultado.

Outro fator preponderante foi à preparação física invejável da Chapecoense, que mais uma vez fez a diferença.

Uma declaração ao final do jogo chamou-se a atenção. Amaral Rosa, de atuação sólida e respeitável, falhou no segundo gol. O primeiro ato ao ser entrevistado foi o de pedir desculpas aos torcedores. Mostra dignidade e um poder de auto-avaliação que remete a um atleta diferenciado e de liderança.

Nada ainda está ganho ou confirmado, mas um passo como este dado pela Chapecoense se reveste de importância.

Agora serão dois jogos em casa, contra Joinville e Ipatinga na seqüência. Dois jogos para casa lotada e para que o torcedor chapecoense mostre sua força também na Série C.

Neném esteve muito acima da média e as entradas dos contratados mostram que a consolidação da titularidade é apenas uma questão de tempo.

Falta tirar de alguns integrantes do elenco certa ansiedade, natural nos momentos decisivos, mas que pode desequilibrar na hora da verdade. Foi um passo gigantesco em busca da Série B.

Pegada forte

quinta-feira, setembro 22nd, 2011

Olhando o site do Brasiliense o que leio é uma seqüência de noticias relacionadas a um ritmo muito forte de treinos comandados por Argel Fucks.

Outro destaque está relacionado ao plano de o Brasiliense chegar a Série A já em 2014. Ou seja, o Brasiliense é um adversário que se mostra mobilizado e encarando este jogo de segunda-feira contra a Chapecoense com muita responsabilidade.

Tenho minhas dúvidas no que se refere à qualidade da iluminação do estádio, que acabou por levar o jogo para a parte da tarde. Um estádio daquele porte e com o Brasiliense almejando subir, estar sem condições de um jogo noturno? Sinceramente não posso acreditar.

As tardes do Planalto Central, nesta época do ano, alcançam temperaturas acima dos 30 graus e com umidade relativa do ar em níveis críticos de tão baixos. Já estive em Brasília nesta época do ano e nestas condições. É simplesmente terrível, para quem não está acostumado, encarar um clima desértico.

Porém, dando uma olhadinha na previsão do tempo, marca chuva boa para segunda-feira. Será?

Qualquer coisa é só levar o Martinão na delegação que a possibilidade de o Noé e sua arca aparecerem por lá é grande.

Mas com tempo seco ou não a Chapecoense terá de encarar este compromisso. Na parte física a Chapecoense está muito bem. Haverá um desgaste como ainda não houve nesta Série C, mas o grupo vai suportar.

O que aguardamos está relacionado ao que Mauro Ovelha vai adotar como ideal na sua escalação. O que é certo que não muda é o esquema. Para começar é o 3-5-2.

Nequinha entra na direita? Neguetti será um dos três zagueiros? Escolhas que passam somente por Mauro Ovelha.  O que tranqüiliza é saber que a Chapecoense tem padrão de jogo, sabe jogar fora de casa, tem um grupo com personalidade e que sabe explorar o fator local dos adversários e a necessidade que se tem de vencer em casa.

Mauro Ovelha muda a equipe e o rendimento não cai.

Tenho certeza que este Brasiliense é melhor do que o Brasil de Pelotas e o Santo André, mas também acredito que não é superior que o Caxias e o Joinville e a própria Chapecoense. Não existe Bicho-Papão. A diferença se faz com pegada e atitude de vencedor, dentro ou fora de casa.

 

Ilustração: Site Chapecoense.

Meteu o dedo na ferida

quarta-feira, setembro 21st, 2011

Comandante contrariado

A informação repassada ao repórter Darci Debona do Diário Catarinense, através do diretor de futebol da Chapecoense João Carlos Maringá, referente à negociação do passe do zagueiro Grolli, é motivo de racha interno na Chapecoense.

A manifestação pública do técnico Mauro Ovelha, externando toda sua contrariedade com a liberação da noticia, deixa clara a situação. Não é a primeira vez que um episódio coloca Ovelha e Maringá em rota de colisão.

Recentemente houve o episódio da dispensa de dois atletas, o anuncio oficial e depois tiveram de voltar atrás.

Esta agora, envolvendo Grolli, parece ser mais grave e deixou o técnico muito contrariado. Ovelha cobrou bom senso e inteligência. Precisa dizer mais?

Mauro Ovelha está coberto de razão. Grolli é um dos principais atletas do elenco. Este embaraço pode sim mexer no psicológico do jogador. O trabalho de blindagem já esta em funcionamento. Grolli está sendo desviado das coletivas e está orientado a não falar com a imprensa. Ruim para os veículos de comunicação. Bom para a Chapecoense.

A Chapecoense da mostras com este episódio, que realmente é muito amadora ainda na condução dos assuntos do futebol. Houve uma evolução significativa nos últimos anos, mas ainda existe a necessidade de saber segurar assuntos importantes na parte interna.

A negociação de Grolli estava em andamento há muito tempo. A imprensa ouvia os boatos e tratava de especular sobre o assunto. Mas entre a especulação e a confirmação existe muita diferença. Não vou falar em privilegiar um veículo de comunicação, pois não me parece o caso. O Debona é muito competente e gente boa. Mereceu dar a noticia em primeira mão. O pior de tudo neste imbróglio é que a negociação emperrou. O atleta fica. O dinheiro não vem. O desgaste entre comissão técnica, outros dirigentes e o Maringá é publico e notório.

Péssima hora para atravessar o samba. Bom momento para o Grolli demonstrar que tem personalidade forte.

O Maringá, que foi um grande jogador de futebol, nesta deu de rosca.

Assim fica complicado

quarta-feira, setembro 21st, 2011

O gramado da Arena Condá está no limite. Sua qualidade há muito tempo é alvo de criticas. Nitidamente os jogos nele realizados sofrem perda de qualidade. Arremates a gol ganham as nuvens quando o chute pega por baixo da bola. Para dominar uma bola o exercício é redobrado. Não da mais para esperar pela troca. Mas o que está ruim pode piorar. Além da Chapecoense e a Série C, agora teremos os jogos da poderosa terceira divisão de SC com o Oeste e mais a final do Campeonato Municipal acontecendo na Arena. Qual a prioridade? Nada contra os demais compromissos, mesmo porque a Arena é da Prefeitura de Chapecó, mas é uma questão de bom senso.

 

Foto:Rodrigo Goulart/Diário do Iguaçu.

 

Cuidado com o Grolli

segunda-feira, setembro 19th, 2011

A bola da vez na Chapecoense se chama Grolli.

Surgiu a informação de que haveria um interesse do Grêmio para contratar o jogador. Bom zagueiro, jovem, com tempo para ser lapidado e fisicamente atende as exigências do mercado.

Dentro da Chapecoense está existindo um momento de desencontro de informações. Integrantes da diretoria de futebol na estão falando a mesma língua.

João Carlos Maringá afirma que existe uma negociação em andamento. Já Cadú Gaúcho é categórico ao afirmar que não sabe de nada.

O fato de Grolli se transferir para o Grêmio é uma questão a ser analisada com muito cuidado. Em primeiro lugar a Chapecoense poderia finalmente estrear de forma oficial no mundo das negociações com esta transferência. Entraria um dinheiro e ainda ficaria um vinculo em futuras negociações. Tudo certo, tudo lindo!

Se ele se transferir imediatamente não haveria grandes problemas, pois para a zaga a Chapecoense tem várias e boas opções.

O que me preocupa é se a negociação não evoluir.

Com Dema foi um desastre. Veio à especulação do interesse do Grêmio pelo zagueiro. A noticia foi levada ao ar pela Rádio Gaúcha. O negócio não aconteceu. Coincidência ou não, Dema caiu vertiginosamente de produção. Dema já tem 33 anos e muita estrada já rodou.

Grolli é muito recente na vida de jogador profissional. Tem apenas 19 anos e já surge a noticia do interesse de um grande clube. E se o negócio não evoluir? A Chapecoense saberá tratar a parte psicológica de forma adequada? No caso de Dema não soube.

Muito cuidado com Grolli.

E seria interessante que a mesma língua fosse adotada no departamento de futebol. Torre de Babel não!

E tem mais

Se o negócio sair que se entregue a mercadoria imediatamente.

Sem essa de apresentar o jogador apenas em janeiro.

Certamente o menino vai perder o foco e não terá o mesmo vigor nas divididas e nas chegadas mais decisivas. É natural!

Jogando a dureza de uma Série C, em fase de acesso, com a cabeça já em 2012, será impossível manter a mesma qualidade.

Negócio fechado, jogador apresentado. A fila anda e já vai outro para o seu lugar.

Vamos lembrar de Thoni e seu acerto com o Criciúma.

 

Foto: Futebol Interior

Um basta no amadorismo

sexta-feira, setembro 16th, 2011

A diretoria da Chapecoense tomou mais uma decisão sensata e que converge para a profissionalização da entidade. Uma nova onda de cobranças judiciais atingiu a Chapecoense nos dois últimos jogos em casa, com apreensão das rendas dos jogos, para quitação de dividas trabalhistas. Um levantamento prévio indica que a Chapecoense teria hoje uma divida em torno de R$ 1 milhão. Este número é uma estimativa. Quanto às dividas trabalhistas, a entidade não sabe exatamente quantas são e quanto é o montante devido.

Com base neste quadro de desorganização a diretoria contratou uma empresa de auditoria para realizar um pente fino nas contas e para levantar todo o quadro financeiro da entidade.

Terminado este levantamento a diretoria terá em mãos um documento que vai permitir que exista um planejamento profissional das ações da entidade e que uma programação possa ser feita no sentido de buscar a equalização do quadro financeiro.

É assim que se faz. Com um orçamento de mais de R$ 5 milhões/ano, podendo dobrar em curto espaço de tempo caso o acesso a Série B se confirme, não existe mais possibilidade de gerenciar esta empresa como se ela fosse um brinquedo.

A seriedade no trato dos recursos já existe, o que precisa ser desvendado são os desmandos do passado e de que forma eles realmente afetam a Chapecoense.

Esta auditoria será como abrir o sarcófago de uma múmia. Sairá de dentro desta tumba uma série de informações e um relato fiel e preciso de quem foi realmente competente e leal e quem foram os que liquidaram com a saúde financeira da entidade.

A Chapecoense é totalmente viável, mas é preciso saber em que lugar pisar.

Esta atitude é uma demonstração concreta de que as pessoas que tocam a Chapecoense não estão para brincadeiras.

Se foi o boi com a corda

quinta-feira, setembro 15th, 2011

Terminou a ciranda jurídica que envolvia o Grupo D da Série C do Campeonato Brasileiro.

O Brasil de Pelotas foi punido com a perda de seis pontos, por ter utilizado de forma irregular o atleta Cláudio, na estréia da competição, justamente contra o Santo André que será seu adversário no final de semana.

O calvário Xavante parece não ter fim.

Com esta decisão, um dos clubes mais importantes do Sul do Brasil e que recentemente completou 100 anos, acaba de ser rebaixado para a Série D em 2012.

Com a decisão, o Santo André acaba beneficiado e ao menos se mantém na C na próxima temporada.

O primeiro julgamento deu ganho de causa ao Brasil de Pelotas. Houve recurso motivado por uma ação do Joinville e da Procuradoria Geral do STJD. A Chapecoense não se movimentou no caso, pois não havia mais necessidade.

Houve por parte do Brasil de Pelotas no mínimo um ato de negligência. Não pesquisar a situação do atleta é muito amadorismo.

O atleta também errou ao não comunicar seu novo clube de que havia sido expulso na decisão do campeonato anterior e da mesma divisão.

Sempre tem alguém antenado em situações como esta. É difícil um acontecimento como este passar em branco.

Pois o Brasil de Pelotas embarcou nesta furada e agora amarga o rebaixamento da forma mais terrível. Punido no tribunal devido à incompetência do seu departamento de futebol.

Faltou futebol também ao Brasil. O time montado é extremamente limitado.

Desta forma o que vale na última rodada é apenas a Chapecoense confirmar a liderança da chave e nada mais.

Chapecoense e Joinville classificados. Caxias e Santo André na C de 2012. Brasil de Pelotas rebaixado no ano do seu centenário. Tudo isso com uma rodada de antecedência. Quem diria que o Grupo da Morte terminaria deste jeito.

A maldição do centenário está instalada no Bento Freitas.

Meus pêsames.

Diogo Oliveira chegou

quarta-feira, setembro 14th, 2011

Gostei muito da contratação de Diogo Oliveira pela Chapecoense. Em sua melhor forma é um meio de campo de boa articulação e de futebol vertical, que vai na área do adversário.

No Brusque viveu uma fase muito interessante e de longe era o melhor do elenco. Em uma equipe de pouco brilho ele apareceu muito bem. Avaliá-lo no Criciúma fica impossível. O Tigre simplesmente está enterrando alguns atletas com sua fórmula atabalhoada de comandar o futebol. Lá eles contratam, pagam muito e depois mandam embora. Ou como no caso do novo contratado da Chapecoense, deixam o atleta treinando em separado.

Diogo Oliveira terá na Chapecoense uma grande chance para mostrar seu futebol de qualidade. O elenco da Chapecoense é bastante homogêneo e desta forma a concorrência por vaga é grande. Pela qualidade do contratado, pela necessidade da Chapecoense a tendência seria de estréia no domingo para uma avaliação do momento do jogador. Porém, como esteve 10 dias parado ele não jogará ainda. Estará a disposição para o primeiro jogo da fase quente.

Diogo Oliveira foi apresentado na tarde de hoje na Arena. Seu contrato vai até o final de novembro. Sua documentação está liberada.

Falta apenas o atleta justificar o investimento. A parte da Chapecoense está feita.

 

Foto: Assessoria de Imprensa Chapecoense.