Arquivo para maio, 2012

Caminhos que se cruzam

quinta-feira, maio 10th, 2012

Hoje a Chapecoense completou 39 anos de existência.

Meu caminho cruzou com o da Chapecoense no ano de 2005. Um ano complicado, uma verdadeira encruzilhada.

Cheguei a Chapecó já no final do ano, que estava carregado de incertezas.

Na época não se sabia se a Chapecoense permaneceria na cena esportiva catarinense ou se fecharia as portas.

Estava tudo certo para que ao lado de meus familiares viéssemos para Chapecó e aqui estávamos propostos a iniciar uma nova fase de vida.

Eis que Zeca Bohner, proprietário da Rádio Chapecó AM 1330 sentenciou: – Perderei de contratar, junto com o Fabio Schardong, apenas se a Chapecoense permanecer de portas abertas, caso contrário, ficará inviável.

Aí eu pensei que era mais uma oportunidade que estava escapando. Voltei para o RS e lá fiquei aguardando as decisões. Para minha felicidade a permanência da Chapecoense foi confirmada através de uma ação do Poder Público e do empresariado local, iniciando uma nova era para a Chapecoense e para este profissional de imprensa e seus familiares.

A primeira temporada (2006) foi complicada. Logo já veio o titulo de 2007 e toda a mudança de comportamento que ele ocasionou. Na saga dos anos pares a temporada de 2008 foi bastante difícil. Em 2009. nova decisão de título e um vice-campeonato. O terrível ano de 2010 nos mostrou o rebaixamento que acabou não se efetivando. O ano de 2011 trouxe o tetra campeonato.

Neste período a Chapecoense foi para a deficitária Série C e saiu logo na primeira fase. Ficou esperando calendário até que criassem a Série D. Encarou com seriedade e subiu para a nova Série C. A luta agora é chegar à segunda divisão nacional.

Este ano completei meu sétimo Campeonato Catarinense consecutivo. Outras tantas Copas SC, Copas do Brasil, campeonatos nacionais e por aí vai.

Minha vinda, juntamente com a minha família e a família do Fabio Schardong, deu-se pelo fato de a Chapecoense não ter desistido de existir.

Hoje vejo minha esposa bem colocada profissionalmente através de concurso, minha filha Emanuele já aprovada na OAB e se formando em julho aqui em Chapecó, minha filha Monique está concluindo o ensino médio e vai partir para a universidade aqui mesmo, meu neto Victor foi alfabetizado em Chapecó pelo SESC e lá já faz parte da escolinha de futsal. Meu genro Juliano estuda em uma universidade federal e está muito bem colocado profissionalmente na área da ciência da computação.

Tive o prazer de receber em 2010 o Microfone de Ouro, honraria da ACAERT, graças a um trabalho de equipe espetacular que concebemos na Rádio Chapecó AM 1330.

Comecei a escrever em jornal diário aqui mesmo no Voz do Oeste, que me ofereceu esta oportunidade ainda em 2006 e aqui estou. Criei um blog que me da muitas alegrias.

E acima de tudo fiz aqui grandes e sinceros amigos.

Tudo isso, tudo de bom que me aconteceu de 2005 para cá, teve a Chapecoense como o caminho que se abriu.

Sou grato eternamente. Nossos caminhos se cruzaram na hora mais importante de nossas vidas.

 

Eleições na Chapecoense

terça-feira, maio 8th, 2012


Lendo a coluna do colega Edson Luiz Picolé no Jornal Sul Brasil, colega este que faz um excelente trabalho de acompanhamento da Chapecoense, ele tocou em um assunto que venho tratando neste espaço já há algum tempo. Eleições de final de ano na Chapecoense.

Existe um movimento para a mudança das regras eleitorais na Chapecoense, que determinaria a necessidade de um tempo maior de participação no Conselho Deliberativo, para que um de seus integrantes pudesse se lançar a presidência da entidade. O tempo mínimo seria de dois anos.

Esta intenção deveria obedecer ao mesmo trâmite de aplicação para qualquer lei ou mudança de regra, ou seja, adota-se uma medida agora para que tenha validade no próximo ano ou eleição.

Não estou aqui defendendo este ou aquele grupo. Não estou aqui para criar ainda mais animosidades do que as que já existem internamente na Chapecoense, mas esta mudança de regra no meio do processo não é correta.

É correto sim que um conselheiro tenha um tempo mínimo para que tenha a possibilidade de concorrer a determinado cargo, acho justo, mas a regra deve valer apenas para a próxima eleição.

Outro ponto levantado pelo colega Edson Luiz diz respeito a uma ideia sugerida de que o próximo presidente da Chapecoense venha a ser remunerado.

Sou frontalmente contrario! Presidente da Chapecoense é um cargo voluntário, assim como deve ser em qualquer outra entidade sem fins lucrativos. Não que ele não possa obter resultados positivos, mas o produto final não está atrelado a esta necessidade.

Se um dia a Chapecoense se transformar em uma empresa, aí sim, deveremos ter um presidente remunerado, assim como em uma cooperativa, sujeito a todas as fiscalizações e trâmites legais, assembleias e apresentação de balanços detalhados. Um presidente de cooperativa deixa seus bens em garantia de sua administração, só para citar um exemplo.

Todas estas discussões são muito positivas e devem ser tratadas de forma muito aberta. Gostaria de uma manifestação por escrito do Presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, empresário Gilson Vivian, que sei acompanha este espaço.

Este processo exigirá do Conselho Deliberativo da Chapecoense muita maturidade. Boa noticia é que ele está em boas mãos. Gente que tem nome a zelar está à frente do mais importante órgão interno da Chapecoense.

Alguns conselheiros devem estar divididos e sem a menor intenção de se posicionar em um confronto que se anuncia.

Se determinados conselheiros se acham desconfortáveis perante a uma eleição polarizada, sem unanimidade, seria de bom alvitre que declinassem do cargo. Não existe escapatória. Se não se posicionar vai se queimar com os dois lados. Em cima do muro não vai dar para ficar.

O ideal seria um nome de consenso, e ele existe. Trata-se de um empresário de sucesso, ponderado, aglutinador, que poderia ser o algodão entre os cristais.

Caso este nome não aceite o desafio, seja por questões pessoais ou mesmo por um posicionamento contrário ao enfrentamento, que se faça a eleição e que ganhe quem tiver maior poder de fogo. Os tempos mudaram na Chapecoense, definitivamente.


Relação torcedor/Chapecoense

segunda-feira, maio 7th, 2012

A Chapecoense, nesta temporada 2012, tem esbarrado na pouca presença de público. A média esteve muito longe daquela imaginada, desejada pela diretoria.

Optou-se por aumentar o valor dos ingressos como forma de forçar os torcedores na busca dos planos de sócios.

Em alguns clubes esta fórmula funciona, notadamente em cidades acima de um milhão de habitantes, que são compostas por grupos heterogêneos, formados por várias classes sociais.

Em Chapecó, a fórmula não tem funcionado e o número de sócios tem aumentado graças aos planos comercializados junto às empresas.

Na decisão do Campeonato Gaúcho entre Caxias e Internacional o mesmo efeito negativo sentido em Chapecó foi notado na Serra Gaúcha.

O centenário pode abrigar 27 mil torcedores. O jogo era de decisão, contra o Internacional, enfrentamento este inédito na história do futebol. Mesmo assim o público pagante foi de apenas 12 mil, porém, com uma renda de mais de R$ 480 mil, devido ao elevado valor dos ingressos. O menor saiu por R$ 60,00.

Certamente com um ingresso mais acessível o volume de torcedores seria maior, a vibração seria outra e a arrecadação poderia até superar o valor arrecadado.

O que quer o Caxias? Ser campeão ou arrecadar? Pode perfeitamente buscar os dois objetivos.

Chapecó e Caxias do Sul têm realidades muito semelhantes no futebol e no perfil do torcedor.

A paixão se divide entre a dupla Gre-Nal e os clubes locais. Aqui ainda não existe concorrência interna. E quanto à parte financeira, apesar da maior população de Caxias do Sul, o perfil do torcedor é do trabalhador da indústria, comércio e prestação de serviços, que ganha um salário pequeno e que não tem capacidade financeira de bancar ingressos com valores elevados.

Hoje a Chapecoense arrecada um valor insuficiente com os sócios e tem bilheterias inexpressivas na venda de ingressos. É preciso reprensar e se adequar a realidade.

Pelo valor de um ingresso você compra o jogo na TV paga e divide entre vários. Sobra até para uma bem gelada.

 

O tamanho da Série C

domingo, maio 6th, 2012

Dias 26 e 27 de maio será realizada a primeira rodada da Série C do Campeonato Brasileiro, a nova terceira divisão do futebol brasileiro, na qual a Chapecoense estará inserida.

Teremos jogos nas cidades de Recife/PE, Belém/PA, Fortaleza/CE, Cuiabá/MT, Rio Branco/AC, Araras/SP, Caxias do Sul/RS, Juiz de Fora/MG, Rio de Janeiro e Goiânia/GO.

Na segunda rodada entram em cena as cidades de Sobral/CE, Juazeiro do Norte/CE, Marabá/PA, Salgueiro/PE, Lucas do Rio Verde/MT, Itápolis/SP, Taguatinga/DF, Macaé/RJ, Duque de Caxias/RJ e na nossa Chapecó.

Sem ajuda de custo acredito que nenhuma equipe teria condições de encarar esta competição. Acerta em cheio a CBF quando valoriza a competição e desta forma aproxima distâncias e possibilita que um campeonato deficitário se viabilize.

A Série C era um amontoado de equipes, divididas em chaves regionais e que não conseguia ganhar visibilidade na imprensa.

Com a mudança há dois anos, deixando apenas 20 equipes, mas ainda muito regionalizada, já houve uma melhora.

Mais um passo importante foi dado quando houve a mudança para duas chaves de 10 equipes e desta forma aumentando o número de jogos e espichando o calendário, possibilitando contratos mais longos e um planejamento estratégico mais adequado.

Esta fórmula deve ser mantida por mais algum tempo para que as equipes se reforcem, pois pensar hoje na mesma fórmula das séries A e B não é inviável.

Todas estas viagens e experiências contribuem para um crescimento da cultura de futebol dos profissionais envolvidos e das entidades esportivas.

A Série C muda de figura radicalmente e para muito melhor.

Torcedor exigente

sexta-feira, maio 4th, 2012

Ontem abordei a necessidade que a Chapecoense tem em montar uma equipe realmente competitiva para encarar a nova formatação da Série C do Campeonato Brasileiro.

Recebi muitas manifestações de torcedores, em sua grande maioria pensando da mesma forma, ou seja, desejando ver em campo uma equipe muito mais qualificada do que esta que foi montada para o Campeonato Catarinense, que apesar de ter chegado à terceira colocação, não convenceu ou empolgou.

O torcedor está mais exigente do que nunca. O desejo é de ver em campo uma equipe completa e não alguns setores funcionando e outros comprometendo.

Para que este desejo se torne realidade o investimento terá de ser arrojado.

A Chapecoense chega a um momento da sua história que escolhas deverão acontecer.

Ou se monta uma equipe barata com o intuito de se manter na Série C ou se investe de verdade e como gente grande para de uma vez por todas entrar na briga.

Este passo precisa ser dado. Não quero entrar no mérito da questão se esta diretoria tem as condições para operar esta mudança, ou mesmo se existe lastro financeiro para que um passo maior possa ser efetivado, olho apenas a necessidade de se buscar um mecanismo capaz de dar a Chapecoense a possibilidade verdadeira de chegar à segunda divisão nacional e aí sim, manter-se por algum tempo neste patamar, para engendrar o grande salto.

Largar apenas nas mãos dos torcedores é muito fácil. Serve como arma de defesa. Time bom, jogando bem, ganhando e convencendo, lota estádio.

Time meio boca, que se arrasta, que é instável, demonstra sua pouca força nas arquibancadas.

Está na hora de escapar da Série C, está na hora de deixar no passado a terceira divisão.

Querer chegar a Série B investindo o mesmo ou um pouco mais do que foi investido no Campeonato Catarinense é o mesmo que prometer e não poder cumprir.

A Chapecoense precisa investir pesado no acesso, caso contrário este ano passará em branco.

 

Da boca pra fora

quarta-feira, maio 2nd, 2012

O sempre desejado acesso a Série B terá de deixar de ser um desejo para ser uma realidade palpável.

Para que isso aconteça um investimento verdadeiro terá de ser executado na busca real de uma vaga.

A nova fórmula da Série C torna mais complicada a chegada à segunda divisão nacional, mas também possibilita acertos na rota ao longo da competição, o que não era possível com a fórmula antiga.

As ajudas de custo e a verdadeira valorização que está sendo proporcionada pela CBF a Série C deixam os clubes com maior fôlego para chegar ao objetivo comum entre os 20 participantes, que saíram de um torneio para encarar um campeonato de verdade.

A Chapecoense já bateu na trave duas vezes. Esbarrou na falta de qualidade e nos limites financeiros.

É preciso investir mais do que já foi investido para que este desejo deixe de ser da boca pra fora. O trabalho existe, mas a limitação de investimento terá de ser vencida, pois acumular mais uma tentativa se tornará dispendioso e desestimulante ao torcedor.

Quando um diretor lê algo como este meu pensamento, certamente terá a reação de pensar que escrever é fácil, cobrar é moleza, enquanto que captar recursos e administrá-los é muito complicado. O pensamento é correto, mas cada um deve ser respeitado naquilo que faz.

Cobro ações desta diretoria da Chapecoense, pois sei que ela é capaz de chegar ao objetivo. Cobro ações dos diretores da Chapecoense por ser sabedor que a entidade hoje tem calibre e respeitabilidade para receber aportes mais qualificados de patrocinadores capazes de fazer a diferença.

Ficar batendo na trave não é mais possível. Da boca pra fora todos querem a Chapecoense na Série B, mas é preciso bem mais do que isso para que se alcance uma posição de destaque.

A hora é de correr riscos e investir para valer. Com um pouco mais do que já foi feito a Chapecoense chega lá.

O teto salarial

Muitos atrelam ao chamado “teto salarial” uma espécie de fórmula do sucesso na Chapecoense. Ter limites é bom, pois possibilita um controle total, mas tem de haver exceções à regra para que a política de qualidade não fique engessada.

Ter no elenco dois ou três atletas acima da média é necessário para dar qualidade ao grupo e desta forma se alcançar os objetivos.

E para que esta soma de qualidade se realize é preciso investir mais em uns e menos em outros tantos.

Um vestiário não é tão diferente do que uma empresa, onde sempre existem os mais e os menos remunerados.

Na Chapecoense já existe esta diferenciação, mas é preciso avançar para que se ganhe em qualidade real.

Um jogador de futebol pode ganhar R$ 50 mil mensais e se pagar, enquanto que outro pode ganhar R$ 5 mil e ser extremamente caro.

Minha visão é a de que um elenco de sucesso na Série C deverá ter a qualidade muito próxima daquele que vai encarar uma Série B.

A Chapecoense terá de ser arrojada nesta temporada nacional, caso contrário, vai apenas passear pelo Brasil.

Turismo no futebol é realmente muito caro.